Wednesday, October 25, 2006

A MORTE

Saudades? Sim.
Arrependimentos? Claro.
Só não se arrepende quem não amadurece;
Mas não se amadurece antes da morte.
Não se morre antes de se arrepender;
A vida é uma sucessão de arrependimentos.

Tudo o que é vivo nasce,
Cresce, se deslumbra,
Se reproduz, se decepciona
E morre.
A vida é um contrato de adesão.

Toda a vida se extingue;
Mas a extinção é para toda a vida.

A presença da saudade é a ausência.

Todo retorno é uma partida,
Mas nem toda partida é um retorno.
Ou é?
O inesperado momento que é certo;
Quando até o descrente clama por aquela
Que é irmã por parte de Pai
E mãe por parte de Filho.

Os que se querem imóveis vão;
Os que se movem ficam.

Se voltar no tempo fosse possível -
Como me emocionaria -,
Choraria como uma criança,
Inocência que lacera,
Mistura de saudade e pena,
Se me deparasse com eu menino,
O qual me olharia com ar maduro,
E já não se saberia
Quem é a criança,
E quem é o adulto,
Pois seríamos um só.

A agonia da imutável injustiça
Se se quer amar alguém,
Se sequer amar alguém.

A vida está me matando,
A morte é que me mantém vivo.

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